Ontem terminei meu doutorado e foi tudo muito intenso. Antes de poder pensar em respirar ou sentir alívio e elaborar um pouco sobre toda essa intensidade, me vi dentro de um novo julgamento público, muito mais cruel que o julgamento pela universidade. Sem escuta alguma, sem confiança e sem respeito pelos esforços coletivos meus e de outras pessoas.
Se desfazemos afetos e amizades com tanta facilidade, se perdemos respeito uns pelos outros, que transformação queremos para o mundo?
Viver e deixar viver, respeitar sempre os esforços das pessoas queridas e continuar fazendo luta cotidiana. Essa que leva tempo, nem sempre é visível, e encara as contradições da vida real.
A esquerda não precisa inventar mais inimigos; precisa cuidar mais dos amigos.

filme de Jean Rouch e Edgar Morin, 1960

Rouch: Então, Edgar, o que você pensa desta projeção?
Morin: Bem, penso que é interessante porque, todas as coisas consideradas, tudo o que foi dito, pode ser resumido em duas coisas: ou as personagens são reprimidas por não serem suficientemente reais, por exemplo, Jacques reprime Angélo por ser meio ator quando está com Landry, ou eles são reprimidos por serem muito reais, como quando Maxie, esposa de Jacques, reprime Marilou por se desnudar diante da câmera. O que significa isso? Isso significa que chegamos a um certo estágio onde investigamos uma verdade que não é a verdade das relações cotidianas… Fomos além disso. Tão logo as pessoas são um pouco mais sinceras do que são na vida real, os outros dizem, “você é um mau ator, você é um ator”, ou dizem ainda, “você é um exibicionista”.
Rouch – É…

cartaz mais impostos para os ricos com madeirite
Hoje abre a exposição Aparelhamento, da qual participo com esse cartaz escolhido da série “Pela democracia mesmo”, que será leiloado para colecionadores de arte no sábado. (A obra foi pensada mais para o leilão que para a exposição). (mais…)

Quando há separação entre palco e plateia eu gosto de me sentar o mais perto possível do palco, para me sentir mais dentro do acontecimento cênico. Ontem eu me sentei na última fileira do teatro da Funarte São Paulo ocupada e mesmo assim fui totalmente envolvida pelo show da Ava (e de tantos outros/outras que a acompanhavam; no cartaz não havia separação entre todos os nomes anunciados e no palco também não). Este registro em vídeo da primeira música não faz jus ao show, que eu escolhi viver e não filmar (ainda que, normalmente, essas duas coisas sejam indissociáveis para mim). É uma câmera pequenina e parada, lá de longe, (mais…)

Excerto do show Encarnado. Casa de Francisca, São Paulo, 30 de abril de 2014.

Três músicas seguidas: Xote de navegação (Chico Buarque), Odoya (Juçara Marçal) e Ciranda do aborto (Kiko Dinucci)
Juçara Marçal – voz
Kiko Dinucci – guitarra
Rodrigo Campos – cavaquinho
Thomas Rohrer – batedeira/rabeca

câmera: Graziela Kunsch
(celular)